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A África é uma das cinco partes do mundo, a mais antiga, a mais rica, o berço da humanidade.
Vem do latim “Aprica”, a partir do grego “Aphriké”, nome que os romanos deram à parte que conheciam do continente, termos que tem a ver com “ensolarado” e com o grego “sem frio”, conceitos que a acompanham no imaginário europeu transplantado para o Brasil.
O Brasil, um país de dimensões continentais, é o vizinho transatlântico da África. Em mais de 500 anos de história documentada sobre as relações do povo aqui formado com os povos da África, quase 400 foram de relações fundadas no tráfico de escravos através do Atlântico Sul, tráfico que deixou marcas profundas tanto naquele continente como no Brasil.
Assim não é de admirar que no Brasil a África seja também substantivo na língua portuguesa herdada da colonização "por alusão às famosas façanhas lá praticadas"; substantivo feminino em português significa façanha, proeza, feito: "Sua vitória no concurso foi uma áfrica"; "esgotar poço de pouca água não era nenhuma áfrica."1
As famosas façanhas, de fato, foram: a pilhagem do continente, o desterro de seus filhos e filhas para a escravidão.O continente negro é outro lugar comum para África no imaginário eurocêntrico.
Frantz Fanon2, psiquiatra e filósofo social negro foi taxativo: “O negro... jamais foi tão negro como a partir do instante em que esteve sob o domínio do branco”.3
Assim a perspectiva eurocêntrica da África é uma trajetória de dominação que através do saque, da pilhagem, construiu ideologias raciais culminando nas de superioridade branca que resultaram nas ideologias do nazismo e do apartheid.
O Brasil muito deve ao legado africano que passou a ser admitido como coadjuvante da formação da nação brasileira – o país costuma ser citado como tendo a maior população negra fora da África. Os brasileiros afrodescendentes procuraram manter a África viva no Brasil, mas pouco se lhes foi permitido escrever sobre a África.4
O neocolonialismo que volta a pilhar os recursos naturais da África dará a tônica do imaginário sobre a continente nos países chamados desenvolvidos – a imagem da pobreza endêmica e da cleptocracia dos regimes de exceção instalados pelo neocolonialismo passa a ser vendida na mídia como algo imanente, algo que seria inerente á condição africana.
No Brasil essas imagens são absorvidas pela “inteligência” nascida no berço de ouro da casa-grande contemporânea e cevada pelo trabalho sem fim dos habitantes das senzalas do mundo globalizado – áfrica continua a ser para a “elite branca” algo que se escreve com letra minúscula que não teria a ver com o Brasil, apesar de que as mazelas neocoloniais e globalizantes sejam tão válidas para descrever as realidades contemporâneas de países da África como as do Brasil.
A subjugação dos povos da África num contexto pós-moderno, a exemplo da aventura ou façanha colonial, e de sua continuação neocolonial, passa na época da globalização pelo uso e abuso dos estereótipos, tais como:
- • para pobreza generalizada, as políticas de redução da pobreza,
- • AIDS[ou SIDA]5é o destino manifesto do continente,
- • ONGs são a solução para minorar tais problemas, não cabendo ao Estado falido atacá-los.São estereótipos que também se aplicam ao Brasil...
A globalização dos povos, ao contrário do que se convencionou simplesmente chamar de globalização, esta sim apresenta outros olhares para a África: - • Os africanos e africanas migram, impulsionados pela miséria que lhes é imposta pela pilhagem; ao migrarem levam consigo inteligência, arte, criatividade, as quais sem dúvida, poderão não só fecundar as terras para onde migram, como poderão ser devolvidas a África;
- • os meios de comunicação são hoje assolados pelo vendaval de liberdade e criatividade que a grande rede mundial de Internet oferece; a África não está ficando nada para trás...
- • O Foro Social Mundial de 2007 foi realizado na África em Nairobi, no Quênia6 entre 20 e 25 de janeiro.
- • O CODESRIA-Conselho para o Desenvolvimento da Pesquisa em Ciências Sociais na África7, nasceu, em 1973, da vontade dos pesquisadores africanos em ciências sociais, e de todos os que estavam engajados na pesquisa em ciências sociais na África, de desenvolver as capacidades e os instrumentos científicos suscetíveis de promover a coesão, o bem-estar e o desenvolvimento das sociedades africanas, encorajando o profissionalismo, a integridade científica, o serviço ao povo do continente e a liberdade de pensamento.
O Instituto ComÁfrica tem em sua origem a parceria de brasileiros(as) e africanos(as), as relações de cooperação entre os povos.
O Brasil não pode ser pensado sem a África – a África olha para o Brasil e costuma ver o incógnito.
Nesta área de www.comafrica.org os Estudos Africanos, a História da África e a Arte e Criatividade africanas encontram um espaço para a cooperação científica, cultural, artística e educacional.
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