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Conforme avançamos no Século XXI as relações entre o Brasil e a África se intensificarão. Isto envolverá um aumento no contato entre os povos do Atlântico Sul com base em: - 1.ações solidárias empreendidas por movimentos sociais, e
- 2. no conhecimento mútuo que certas atividades transnacionais geram, tais como:
- a)o movimento de capitais,
- b)o movimento de pessoas, seja relacionado a trabalho ou a turismo,
- c)o intercâmbio cultural, e
- d)o esporte.
Na segunda metade do século XX, movimentos sociais com denso conteúdo político, eis que apoiavam lutas de libertação nacional e pela igualdade racial, conseguiram levar seus povos e governos em distintos níveis de comprometimento a isolar o regime do Apartheid internacionalmente.
A contribuição desses movimentos sociais fora da África do Sul e da Namíbia conseguiu dar forma a uma solidariedade global e sólida, pois acima de tudo se baseava no princípio da unidade na ação conforme praticado pelos então principais movimentos de libertação nacional daqueles países.
A história da solidariedade do povo brasileiro com os povos africanos na luta contra o apartheid na África do Sul e contra o colonialismo na Namíbia desde a década de 50 do século XX até 1994 é, por conseguinte, importante para a reconstrução da cooperação internacional. Esta Memória está sendo resgatada com base em arquivos mantidos e recuperados pelo Instituto Comáfrica que sucedeu ao Antigo Comitê Brasileiro de Solidariedade aos Povos da África do Sul e Namíbia COMÁFRICA.
No tocante ao Brasil a Memória Comáfrica resgata fontes históricas alternativas para um período que vai desde meados da década de 1940 até 1994, durante o qual se concentra sobre duas importantes problemáticas para a História Política e Social recente do Brasil:
- a) a da identidade nacional ou racial dos
movimentos negros no Brasil e de suas lideranças
ao buscarem elementos de comparação
da luta contra o racismo antinegro no Brasil
com a luta contra o racismo na África
Austral.
- b) a da participação popular na formulação de políticas públicas, no caso dando caráter de política pública à política externa brasileira, como por exemplo na consagração do combate ao racismo nas relações internacionais no texto da Constituição Cidadã de 1988.
Desde um porto seguro da evidência histórica os visitantes desta área do sítio que futuramente estará abrigada num repositório digital próprio poderão reconstruir a cooperação internacional através deste resgate de nossa memória e também das ligações que apresentaremos deste espaço para a memória e patrimônio histórico de organizações irmãs que caminharam conosco pelas mesmas vias ou por vias paralelas.
Ao descobrir o ontem, com certeza se encontrarão lições para o amanhã.
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