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No Brasil o ministério ao qual compete assessorar o Presidente da República na formulação e execução da política externa denomina-se Ministério das Relações Exteriores.1
E foi assim que a política externa assessorada pelo Itamaraty tratou o apartheid: como algo externo ao Brasil, mantendo permanentemente relações com aquele regime e permitindo todas as formas de intercâmbio, tendo apenas seguido diretrizes, respectivamente do Presidente (no regime militar) Geisel em 19752 votando resolução da ONU que condenava o apartheid e em 19853 passado a monitorar sanções seletivas que foram determinadas através de Decreto do Presidente José Sarney, Decreto este que atendia de forma restrita a pleitos por sanções abrangentes que partiam dos movimentos negros anti-racistas no Brasil4 que contribuíam desta forma para tornar a política externa uma política pública. O antigo Comitê Brasileiro de Solidariedade aos Povos da África do Sul e Namíbia – COMÁFRICA, fundado em 22.08.1985, vinha se tornar a ponta de lança no Brasil de um movimento global contra o apartheid tendo por finalidade "o trabalho pacífico e, conforme as leis do país, de solidariedade, com os povos da África do Sul e Namíbia, no sentido de mobilizar a opinião pública nacional, propondo ao governo brasileiro medidas de apoio aqueles povos oprimidos e, contra o governo colonialista e aparteísta da África do Sul, reconhecendo os movimentos de libertação nacional."5
O Comáfrica.org continua a exemplo do IURI-INEAFRIC, seu berço de fundação6, a vincular a pesquisa acadêmica à implementação da política externa como política pública.
A Memória ComÁfrica como parte da Área de Relações Internacionais do sítio mostrará como, na segunda metade do século XX, movimentos sociais com denso conteúdo político, eis que apoiavam lutas de libertação nacional e pela igualdade racial, conseguiram levar seus povos e governos em distintos níveis de comprometimento a isolar o regime do Apartheid internacionalmente. Tal contribuição desses movimentos sociais fora da África do Sul e da Namíbia conseguiu dar forma a uma solidariedade global e sólida, pois acima de tudo se baseava no princípio da unidade na ação conforme praticado pelos então principais movimentos de libertação nacional daqueles países.
A solidariedade do povo brasileiro com os povos africanos na luta contra o apartheid na África do Sul e contra o colonialismo na Namíbia desde a década de 50 do século XX até a abolição do apartheid em 1994 tem uma rica história, que nada deixa a dever a de movimentos mais densos e de alcance midiático mais global como o foram os que tiveram lugar principalmente no Reino Unido, na Holanda, nos EEUU e em vários países da Europa, África e Ásia.
Esta solidariedade do povo brasileiro em grande parte mediada através da própria luta contra o racismo no Brasil, levou a que fosse consagrado o repúdio ao racismo entre os princípios fundamentais que regem as relações internacionais do país na Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 5 de outubro de 19887 como resultado da representividade de ações da sociedade civil no Brasil contra o apartheid por lideranças como a Constituinte Benedita da Silva do PT-RJ. Aquela Memória, baseada em arquivos mantidos e recuperados pelo Instituto Comáfrica que sucedeu ao antigo Comitê Brasileiro de Solidariedade aos Povos da África do Sul e Namíbia, permitirá a navegação por um mundo de solidariedade, eis que a luta antiapartheid, que deu origem ao Comáfrica, levou a um movimento de solidariedade internacional cujo modus operandi foi o de um prelúdio a uma bem sucedida articulação internacional de movimentos sociais, precursora das formas de atuação em rede dos movimentos sociais globais que procuram se afirmar no século XXI, pela globalização dos povos como alternativa à globalização do capital.
As áreas que se abrem no século XXI para a intervenção do Comáfrica.org nas relações internacionais, estão enraizadas em nossa memória e as manteremos tão vivas hoje em dia como no passado: - a) Diplomacia Cidadã, ou seja a diplomacia que assessora a sociedade civil "dos de baixo", na formulação e execução da política externa como política pública – a Política Externa "dos de baixo".8
- b) Cooperação Sul-Sul , como ONG que está entre as pioneiras na prática da Cooperação técnica entre Países em Desenvolvimento (CTPD) no Brasil, promovida com os movimentos de libertação nacional da África do Sul e Namíbia na década de 1980, Comáfrica.org quer contribuir para genuína cooperação internacional.9
Daí que procuraremos priorizar neste sítio a disseminação de informação sobre exemplos de bem sucedidos desenvolvimentos de capacidade de pesquisa nos países do Sul na busca de soluções para os desafios que enfrentam e de soluções inovadoras propostas para a cooperação econômica, mais especialmente no que diga respeito às relações de países africanos entre si ou com a América Latina bem como com a Índia em vista do estabelecimento do Fórum de Diálogo Índia, Brasil e África do Sul (IBAS).10
Comafrica.org está aberto a desenvolver outras áreas de pesquisa e disseminação de informação nas Relações Internacionais ligadas ao seu objetivo de reconstruir a cooperação internacional através do resgate da memória, da difusão de informação e da revitalização dos espaços públicos, criando um espaço para cooperação com a África no Rio de Janeiro.
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